Mulheres Q Bebem











{Junho 21, 2008}   Aconchego

Bolinho de chuva, banho de rio, chupar manga no pé, ganhar tamanquinho de madeira comprado na feira, andar a cavalo, moda de viola, cigarro de palha e doses imensas de amor. Tudo isso, e tantas outras coisas, me lembra meus avós – maternos e paternos.

 

Em três anos perdi os quatro, sim, perdas difíceis, uma tristeza e tanto. Ultimamente tenho sentido muita saudade deles.

 

Perder os avós é perder sua referência maior, é sentir que o porto seguro se foi, é como não ter mais pra onde voltar, é nunca mais sentir aquele aconchego que só o colo e a casa deles conseguem proporcionar. É perceber que você nunca mais vai experimentar certos sabores, sentir certos aromas e receber aquele olhar que diz: “Você é a pessoa mais linda, inteligente e especial do mundo”.

 

Ah, sim, porque para os nossos avós nós não temos defeitos. Claro que nossos pais nos amam incondicionalmente, mas eles conhecem nossas falhas, nossos avós, não. Eles simplesmente não tomam conhecimento delas.

 

Sim, muita coisa se foi com a partida dos meus avós, mas a lembrança de uma infância feliz e cheia de amor vai continuar comigo e me ajudando a driblar a saudade deles.  Nunca vou me esquecer do meu vô Arlindo tocando viola, da minha vó Isolina fazendo os pãezinhos mais deliciosos do mundo, do vô tio Zé gargalhando com uma piada e de minha vó Fizoca fazendo biscoito de polvilho e pitando seu cigarrinho de palha…tais lembranças trazem uma saudade  enorme e doída e, ao mesmo, reconfortante ao meu coração.

 

Pensei em várias maneiras de homenageá-los e um dia sozinha em meu quarto decidi que iria fazer uma tatuagem com quatro corações no meu braço, para deixar meus quatro amores para sempre perto de mim. Um jardim de corações que vai me levar de volta ao meu porto seguro.



{Junho 21, 2008}   Eliminatórias x Eurocopa

Acompanhando a Euro 2008 e os jogos da seleção brasileira nas Eliminatórias da Copa e em amistosos, é deprimente e irritante ver o futebolzinho que o time do Brasil está jogando. Jesuis, cadê a seleção brasileira com letra maiúscula?

 

Assisto à Euro e vejo uma Holanda empolgante, uma Alemanha e Portugal fazendo uma bela partida de quartas-de-final. Seleções que têm esquema de jogo definido, que atacam e defendem com a mesma disposição, que fazem um jogo literalmente coletivo, solidário e que dão orgulho a seus torcedores. Os caras dão tudo de si, suam a camisa, têm garra e fome de bola durante os 90 minutos, são guerreiros e não se entregam.

 

Agora, olhando a seleção brasileira, que decepção. Tirando Lúcio, Juan e Kaká, já deixei de torcer por esse time e seus jogadores há muito tempo, desde a Copa de 2006. Sim, acho que muitos deles não fazem questão de defender a seleção; sim, acho que muitos deles não têm amor à camisa.

 

Essa coisa de os jogadores ficarem bravos, chateados porque a torcida vaiou o time no jogo contra a Argentina chega a ser ridículo. Queriam o que diante do que fizeram? Aplausos? Só podem estar de gozação! O que são eles? Deuses que estão acima do bem e do mal? Entidades intocáveis que não podem ser criticadas? Peraí, todo e qualquer profissional é passível de crítica, e ela faz bem para o seu crescimento e amadurecimento. Mas não, eles são um bando de garotos mimados.

 

Não agüento aquela história de que o jogador precisa de carinho – todo mundo precisa, de cuidado…aaah, vão se catar – são um monte de barbados, que ganha milhões, precisam mesmo é tomar vergonha na cara.

 

Torci para a Argentina na quarta-feira, mas os hermanos não colaboram, é incrível como tremem diante dos brasileiros.

 

Depois daquela campanha ridícula em 2006 – quando só Kaká (no início da competição), Lúcio, Juan e Zé Roberto se salvaram -, passei simplesmente a não conseguir torcer pela seleção. Na Copa, o Brasil é eliminado e os caras vão pra balada? Não vi ninguém derramar uma lágrima, uns foram cumprimentar os franceses como se a partida fosse um amistoso. Quando a Inglaterra foi eliminada, na mesma Copa, seus jogadores caíram em prantos no gramado, o mesmo aconteceu com a Alemanha quando não foi para a final – e dizem que ingleses e alemães são frios.

 

Em duas Copas deixei de torcer para a seleção brasileira: em 98 – com Zagallo – e em 2006. O motivo? O futebol medíocre do time. Com essa seleção de Dunga está sendo a mesma coisa. Aliás, Dunga deveria ser mais humilde, tratar melhor a imprensa – pois ele fala com os jornalistas com uma arrogância pouco vista por mim, fora a ironia ao responder às perguntas –, assumir quando o time não joga bem e admitir seus erros. Mas acho que isso é pedir demais…

 

Enquanto isso, os europeus estão dando show e a gente vexame. Força Holanda, força Alemanha – Itália não – não perdôo a vitória sobre o Brasil na Copa de 82 – aquilo sim era uma seleção de verdade, com um técnico de verdade – mestre Telê, a quem tive sorte de ver ser bicampeão mundial com o meu querido São Paulo. Ok, não ganhamos aquela Copa, mas e daí? Tinha orgulho daquele time!!! Do atual, tenho vergonha!!!



etc.